quarta-feira, janeiro 17, 2007

Andar pela língua irma

Acordei hoje completamente borracho! Normal.

Quando falo em espanhol, tenho a sensacao de estar em um quarto escuro que conheco. Me lembro onde fica a cama ou onde pus os sapatos, mas nao posso ve-los. Entao, vou tateando todo o universo de palavras imaginárias, temendo que a cama seja um armário ou o sapato algo caido no chao. Nunca se sabe quando uma palavra é a mesma ou algo completamente diferente.

Esse tateio, essa corda-bamba da linguagem, é tambem parecido com um megulho de superficie. Nadas em outro meio, outro mundo que te cerca por todos os lados, mas continuas com um snorkel imaginário e gigantesco que se estende até a terra natal para respirar.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Traicao

Apesar de so ter 3 leitores, pasei o dia todo ontem pensando na heresia que cometi, falei que o Rio era uma cidade horrivel. O sentimento foi parecido com o de um filho que ofende a mae, ou deseja-lhe mal. Ao contrario disso, eu sei, e todos sabem, que o Rio é a cidade maravilhosa.

Para descontar:

Ao contrário dessa cidade sem horizonte, sem meio nem fim nem comeco, sem marcos geograficos, sem abundancia, sem paraíso antes da manzana, o Rio de Janeiro tem o marco universal da beleza natural, expoente maximo da verdadeira imanencia: a beleza das montanhas e das águas.

Por isso, vejam só, náo nos preocupamos tanto com as artes plasticas. Nossas esculturas sao lindas, mas estao la, um pouco esquecidas. Nao somos obcecados com uma arquitetura em perfeita harmonia muito menos com a manutencao de um ar novecentista, ou, quizá, oitocentista. Sabemos, por instinto e carga genética, que nada é mais belo que o belo vindo da terra, irradiado por raios de sol, acariado pelo vento, colorado pelo verde. Sabemos que, mesmo sem frequentá-las, as cachoeiras que nos cercam abencoam-nos como velas eternamente ardentes. No fundo, nao acreditamso que a feiura possa subjulgar os encantamentos de Gaia, mesmo que os tracantes de AR-15 insistam em nos convencer do contrario.

Sim, viveremos eternamente no jardim, sem sermos expulsos, e já tendo comido o fruto. Eu só rogo, !!!, para que tudo de certo. Para que, nao apareca no meio do edem uma sao paulo exaustiva: a decadencia da beleza - ou para a que já apareceu faca o favor de se comungar.

Nós, humanos, acredito, somos viciados em beleza. Falta dar ao Rio nossa beleza em permanencia, ou seja a arquitetura e a construcao. Contamos demais com o permanente da natureza e da nossa inventividade, ergamos nossa beleza como a natureza ergue a vossa, pedra sobre pedra.

A Tigre, me voy!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Rio, a cidade horrível






Dá pena do Rio de Janeiro.

Nao falo das opcoes culturais, que erradamente dizem haver mais por acá do que no Rio, mas da beleza urbana. Os equipamentos urbanos -sim, antigamente se chamavam pracas museus parques etc- além de ser bem conservados transmitem um certo respeito pelo bem público.

A arquitetura, mesmo a nova, parece ser feita por arquitetos e empresas preocupados em manter a harmonia urbana. As ruas sao mais largas, as calcadas mais espacosas, e as que sao estreitas, mostram-se bem aproveitadas assim. O que é mais difícil, principalmente para quem se acostumar a mirar predios no rio de janeiro, é encontrar edifícios horríveis.

Isso, para quem nao pensa a respeito, faz toda a diferenca do mundo. Dá raiva ver a Barra da Tijuca. É tanto descaso com nossa cidade... Da Lapa (o Pelourinho de Cesar Maia, ainda que melhor) à Praca da Cruz Vermelha ve-se que os prédios mais caem em pó do que em sucesso. Embora as condicoes economicas daqui estejam muito boas, nao podemos dizer que o Rio carece de grana, ele carece é de uma vontade de fazer bonito, e nao simplesmente de se maravilhar todos os dias com a beleza natural da cidade.

A Cissa veio nos visitar. Ela fez um comentário ótimo: aqui, eles reformam, no Rio derrubam abaixo. Essa é a principal diferenca de Buenos Aires para o Rio. Aqui, os detalhes novecentistas sao mantidos, nos jornais nas teles culturais e nos bares -com algum esforco de fazer social- percebe-se que a populacao esta atenta as transformacoes espacias da cidade. Ha quem diga "no al desarollo", embora pareca haver outros motivos e até outro sentido que a simples negacao ao desenvolvimento economico.