sábado, setembro 23, 2006

Academida

Porque as academias parecem uma loja? Eu entro lá e me sinto comprado. Os `club fitness` parecem shoppings, não clubes. A impressão que dá é que tudo isso foi inventado na Barra, e todo mundo, quando entra dentro de uma delas, mora na barra.

As bundas das mulheres são inacreditáveis! Cada fêmea a seu jeito, as pequenas, as magrinhas, as gostosas mesmo; todas parecem ser o melhor possível de si mesmas. Cade parte do corpo ganha seu destaque especial; diria que as vestimentas para elas, e não para o corpo todo. Despertam um sexo por metononímia: 'Comer aquela bunda, humm', 'Que coxa gostosa', 'peitinho durinho'. E claro, dentro do partido do uniforme único, cada uma valoriza melhor o que tem.

Elas são o destaque absoluto. Claro, tem as gordas querendo viver a transformação do fantástico ou da Xuxa, as coroas - umas fingem que ainda são garotas, outras encaram majestosamente o peso da experiência -, e toda essa estirpe de excluídas da beleza uníssona e universal. Afinal, adjetivo ou substantivo, é fundamental.

Academia não é só mulherada, tem a rapaziada estátua-grega. Se estivessem no cinema, poderiam pular do quinto andar sem se ferir salvar o mundo rolar um clima com a filezinho exótica e ainda voltar para casa antes da esposa se deitar. Assim mesmo, rapidinho e sem vírgula. Quanto custa o pacote, por favor?

Viva a forma! Se vc não pode ser, pareça e apareça!

quinta-feira, setembro 21, 2006

A nostalgia da memória inexistente.

Li o editorial do Globo ontem. Hoje, achei esse texto de 4 de julho de 2005.


A nostalgia da memória inexistente

Acaba de surgir algo de novo no Brasil. Um sistema político voltado para corromper. Nunca em nossa história um governo havia ido tão longe na formulação de uma máquina corrupta tão ativa. Nem na ditadura militar, período que aparece cordialmente fora da política brasileira, nem no Collor, enfim nem mesmo a FHCFHC, teve um sistema tão estruturado.
Nunca um governo teve que comprar votos, nunca um governo sistematizou suas políticas na base da corrupção, da usurpação do público, da vantagem do interesses particulares sobre o interesse geral. Só agora os políticos se vêem obrigados a apelar para o “passe-livre”, dado um governo tão incompetente, fisiologista, e ant-democrático quanto o do Partido dos Trabalhadores.
Antes, a estabilidade institucional, o rumo certo, a recuperação internacional da moeda, faziam com que os políticos priorizassem a nação e votassem seguindo a louvável liderança do presidente. Após todo o impedimento de Collor, nosso país viveu o apogeu da democracia, da responsabilidade e da governança democrática. Nada como o governo anterior, que se reelegeu automaticamente. Apenas não teve continuidade. Por algum motivo, a agenda das certezas do PSDB foi gerando forte descontentamento que se refletiu com a inédita cifra eleitoral de Lula.
Algum evento astrológico de alta intensidade deve ter ocorrido na virada do ano de 2003. Não só pela primeira vez na história o povo foi às ruas comemorar a chegada de um presidente, como também tudo mudou em Brasília. Pela primeira vez um presidente surge das forças promovidas pelo baixo clero da política nacional. Sindicatos, movimentos sociais, intelectuais de centro e de esquerda, colocaram no trono do presidencialismo seu mais forte ícone, é o que dizem. A mudança das reformas sociais do país ganharam a força do choque, e a maioria aguardava o fim da Fome e da alta concentração de renda.
Os que simplesmente queriam o governo anterior fora ficaram satisfeitos, os que aguardavam o fim da Fome, por exemplo, foram murchando até caírem naquela remota caixa da esperança nacional. Então os astros vieram com o mais doce dos recados, não só o governo não cumpriu com sua tarefa, como criou algo de novo na política nacional, trouxe algo de novo para Brasília. Uma máquina financeira de agrados, para desagradados políticos. Temos que voltar urgentemente para a ordem anterior. Onde a corrupção era isolada, onde as CPIs eram sem fundamento. Onde silenciosamente a democracia acontecia sem que nada atingisse seu andamento.
Antes mesmo do fim, o julgamento já está dado. A estrela ou é inalcançável, ou é cadente. Olha-la cair é o que melhor fazemos, para que lá no firmamento do país, tudo volte como nunca foi.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Desfaçatez

Todo mundo sabe que o PT rouba. Todo mundo tem a impressão de que todo mundo rouba. Só se sabe dos roubos do PT.

De um lado, quem gostou do governo não o apoia, mas faz vista grossa para a corrupção.

Do outro, quem não gostou, grita junto com o coro das denúncias e faz vista grossa para o resto do mundo.

Haja coração público para assistir até o fim desta novela.

Ps. Não é só na roubalheira. A desfaçatez também pode ser vista em outros assuntos. De maneira bem reduzida: os petistas parecem estar defendendo-se de uma alucinação coletiva, os tucanos parecem ser a alucinação coletiva.

terça-feira, setembro 19, 2006

Está difícil ler jornal

Está cada vez mais difícil ler jornal. Há dois domingos do pleito, nenhuma matéria de avaliação de nenhum governo, de nenhum mandato. A política desapareceu completamente de todo o noticiário. Os candidatos viraram comentaristas dos escândalos. Está impossível usar os jornais para qualquer esforço de racionalização do voto. A corrupção impera como se uma caixa-preta de fedores estivesse aberta há dois anos.

Além disso, um esforço para destruir o PT é cada vez mais evidente. Visto que já está 'dado' que um assessor direto do Lula comprou o dossie Vendoin, falta falar dos documentos. Não se fala dos documentos, mas do PT os ter comprado. No caso são duas investigações, uma de quem armou o dossie e a outra, o que dizem os documentos. Quando a segunda parte é esquecida, não há como duvidar de que uma campanha esteja em jogo: a social democracia está polarizada entre PSDB e PT. Este é expurgado pelo noticiário, mas o primeiro não.

O pior de todos é O Globo. O jornal esqueceu que política existe e estranhamente só se vê notícia sobre esse assunto nos cadernos de economia e internacional. Neste, os escândalos da Bolívia e qualquer coisa sobre radicalismos no Islã. A Folha ainda se esforça, denunciou Aécio há algumas semanas, fala sobre isso ou aquilo das alianças, sua cobertura vai além da corrupção pura. O Estado não esqueceu que política existe, porque quem tem propriedade, já ensinam os liberais, preocupa-se com o processo democrático: o mundo não parou porque Lula deve ganhar e a grana tá girando. De todos os jornais impresos que li, apenas O DIA, citou o fato de Serra ser investigado em manchete de topo de página, se me recordo, teve chamada de capa.

É triste, tanto se cobra do leitor, do eleitor, e tão pouco se dá.