sexta-feira, agosto 18, 2006

Na Guiana, 5 trabalhadores de jornal assassinados.

Na terça-feira, dia 8 de agosto, 10 homens entraram armados no principal jornal da Guiana, Kaieteur News, e atiraram. Entre os feridos, 5 já morreram. Quatro dias depois um jornalista da rede globo e um técnico da equipe da emissora foram sequestrados pelo PCC. Os mortos da capital Georgetown não tocaram os corações da mídia brasileira. Eles não eram jornalistas, trabalhavam na gráfica.

A diferença entre as coberturas tem motivos. Os brasileiros parecem fingir que a América Latina tem menos países que tem- mesmo quando os compatriotas colaboram com missões de paz sem fim no Haiti. Jornalista da globo sequestrado vende jornal. PCC vende jornal. Técnicos de gráfica assassinatos não devem colocar a liberdade de expressão em risco, afinal não são jornalistas.

Acontence que o fato lá foi tão grave quanto aqui. Retaliação violenta que não vem das forças do estado e sim de grupos armados que só acreditam nas leis quando são réus. Segundo relato de policiais à CNN, enquanto trabalhadores das rotativas de Gerogetown levavam tiros, vários policias estavam controlando uma manifestação carcerária por superlotação e falta de água. Alguma coisa em comum?

Quem sabe assim, Geraldo e Lula não colocam logo a culpa na América do Sul e podem continuar as suas campanhas falando que são café e leite, mas não se misturam.

O Trinidadexpress divulgou o nome dos mortos:
Shazeem Mohammed
Mark Maikoo
Chetram Persaud
Richard Stewart
Ian Redman

Nazismo

Parece difícil acreditar como os judeus foram sendo tirados de casa e levados para campos de concentração sem que ninguém soubesse. Que milhões de pessoas, homessexuais, ciganos e por aí vai, fossem queimadas sem que os vizinhos vissem. Tomara que o futuro seja melhor e pensem nas prisões : como eles podiam permitir que instituições legais da sociedade fizessem isso com seres humanos.

Para isso, claro, pretensões bush-blairianas precisam ser contidas. Império tem que dar exemplo.

Grandes homens

"Dos grandes homens, o que vale não é verdadeiramente sua vida, mas a simbologia da vida." Frase de José Sarney, colunista da Folha de São Paulo, sobre Fidel Castro, hoje no mesmo jornal. No caso do ex-udenista, que símbolo ficará de sua vida?

quarta-feira, agosto 16, 2006

2010 é Uai

No furacão das eleições de 2006 vale a pena fechar os olhos e pensar, como será 2010? O Aécio reunindo forças mineiras para colocar o tucanato de volta no trono. E o PT? Desmoralizado ainda? O povo tem memória curta, mas a opoisição mostrou que pode falar o que quiser: os jornais publicam.

Quem passou imbatível? As grandes mulheres de Lula. Dilma Rousseff e Marina Silva. A primeira, mulher forte ( talvez 'forte' demais para o eleitorado conservador ) e Marina Silva, a mulher cipó. Aposto em Dilma. Vai ser o fanfarrão mineiro contra a gaúcha durona.

Verdade que não se vê nos jornais costura mineira petista que se compare ao café com leite tucano. Aliás, a essa altura do campeonato, Café com Leite deveria ser um ponto de crítica da oposição, e não motivo para orgulhar nenhuma aliança. Afinal, o país servia a esses dois estados, e só. Que que é isso? O retorno da Serra elétrica. A Vaca bebe café e ligadona desmata o que sobrou do país.

Então, Dilma tem 4 anos de Casa Civil, e qual outro ministério quiser, para convencer o eleitorado. Apertando bem forte os quatro dedos de Lula, pode chegar lá. Para isso, é claro, precisará destronar o imbatível Aécio no 2° maior curral (ué, não é leite?) eleitoral do Brasil.

Sindicalismo

O PT também pode fortalecer a democracia sindical e colocar outro ex-operário. Com certeza, a CUT inteira se habilita. Força Sindical, pode chorar, mas se não ligar para a Folha de São Paulo dizendo que tem mensalão na CUT, não vai ter para ninguém. Cuidado com o Fantástico.... não pode mentir.

segunda-feira, agosto 14, 2006

A Gatinha de Taubaté

Lembra da Velhinha de Taubaté, personagem de Veríssimo? Ela acreditou em todos os governos, desde a Ditadura mas não resistiu ao Governo Lula.

O que ninguém sabe sobre a história da Velhinha de Taubaté é a presença de uma ilustre personagem. Nossa querida velhinha tinha uma gatinha de nome suspeito, Conspiração. Na verdade, nem mesmo havia dado nome à felina, apenas alimentava o animal sem fazer perguntas, coisa de gente muito boa mesmo. Mas Conspiração sabia perfeitamente seu próprio nome.

Toda vez que uma notícia tinha o risco de colocar a fé da nobre senhora em risco, um vaso caía ou um rato corria pela casa. O grande coração da velhinha nunca se afetou com os prejuízos causados por Conspiração, que entre fotografias arranhadas e papéis escondidos embaixo da cama, sempre lhe foi carinhosa e nunca ameaçou com um dentinho sequer a feliz senhora.

De um momento para outro, não se sabe se antes ou depois do falecimento, a vizinhança começou a confabular se realmente existia uma gatinha, ou se tudo não passava de solidão. Mesmo que várias crianças jurassem tê-la visto e até mesmo um jovem veterinário da rua a tivesse examinado, quem eram essas pessoas perto dos bem informados cidadãos de Taubaté? O jornaleiro, centro de informações da cidade, nunca a tinha visto, na única vez que fez declaração pública estava completamente bêbado e com má companhia. Entre ele e outros a polêmica circulava.

Estava a gentil senhora louca? Imitava o ruído de gato apenas para não se sentir sozinha? Uma pena. Quando a famosa habitante da cidade partiu dessa para melhor, poucos solidários foram dar uma geral na casa. Estranharam que entre tanta arrumação, uma gaveta tinha fundo falso com papeis indecifráveis, símbolos estavam escritos embaixo da escrivaninha e de algumas fotografias de família. Mas nenhum sinal de Conspiração. Concluíram que a pobre senhora era realmente louca.

No dia da missa de sétimo dia, uma gatinha amanheceu morta no quintal e, arrependidos da falta de boa vontade, todos decidiram, num debate público dentro da igreja, que Conspiração deveria ser enterrada com sua mais fiel amiga, a Velhinha de Taubaté.

As crianças, que sabiam de longe identificar a gatinha, continuaram a vê-la, e, por isso mesmo, ver, falar, ouvir ou lembrar de Conspiração virou coisa infantil. Pois era sabido em toda a cidade, e em toda a nação, já que houve grande repercussão do acontecido, que a Conspiração estava morta e enterrada, se é que existiu. Na razão histórica dos fatos, a gatinha de lenda virou mito e seu nome só é aceito em rodas de bar, desenhos infantis e todo tipo de conversa feita para não levar a lugar nenhum.

Rondônia é um chamado para uma nova geração de assaltantes esclarecidos

A Polícia Federal, operação Dominó, prendeu diversas autoridades de Rondônia, mas lá é fácil. Isso é que dar corrupto querer ser só corrupto em uma federação. Não é fácil. É preciso ter moral federativa. Roubar aquele estado longínquo sem coronéis relevantes é trabalho para amadores. Denunciados ao fantástico em 2005 (como ensinou Suzane von Richthofen minta para a polícia, mas nunca ao Fantátisco) pelo próprio governador do Estado, Ivo Cassol (ex-PSDB atual PPS), alguns deputados e muitos asessores somaram-se a maior apreensão deste que é o produto mais consumido do país: políticos. Será que quando as grandes corporações dominarem o mundo vai ter SAC para governador mal atendido, ops, já tem a Globo.

Queremos ver a PF cantar de galo no Maranhão, na Bahia, no Rio de Janeiro e por aí vai. É um começo, assim temos mais chances de ter assaltantes eclarecidos. Antes de roubar R$ 70 milhões de um estado, os cálculos por baixo da PF, providenciar: mercado consumidor e assim ter poder econômico - donos de fábricas de pneu ou de jornal, tanto faz - para contra atacar. Assim de graça, não pode.

O problema dessa operação Dominó é que ela começou lá no grotão mor do país e por lá fica. O ideal seria o contrário, começar na paulista subir com as massas de ar seco até brasília e de lá deixar o mercado sem oferta desse tão bem ofertado produto, talvez o com melhor distribuição mundial.

domingo, agosto 13, 2006

Arte e política: festinha em Brasília ou na Lapa

Dia 10 de dezembro de 2004, na festa de lançamento do jornal Arte e Política

É interessante quando os engajados começam suas discussões, partindo da generalidade, do mundo e do cotidiano, das injustiças e de suas causas, para atores e instituições que colaboram com esse mundo que o poder nos deu. Há os que concordam, reclamam, taxam políticos e jornais por safados e inescrupulosos. Há também os que não entendem, que não ligam, pois não acreditam em como isso interfere em suas vidas, vêem, nada mais nada menos, do que a história humana. Esses dois recebem algum tipo de perdão, porque sem trocar ofensas, sem trocar oposição, sem fazer alarde não impedem o falante de se contradizer. Quando, entretanto, é com a própria contradição que ocorre o diálogo as coisas mudam. De um lado, os conservadores, aqueles que querem um mundo injusto, que colaboram com o funcionamento consciente de um sistema tão cruel. Do outro, ficam os hipócrita, reduzidos a meros papagaios da contradição e do superficialismo histórico, como alucinados que não enxergam o próprio papel no mundo.

Dificilmente duas pessoas que realmente buscam o conhecimento vão chegar a essas últimas opiniões. Mas conversando muito por aí, percebi que os conservadores e os progressistas, ou os direitistas e os esquerdistas, existem mais na cabeça de seus antônimos, do que propriamente em si mesmos. É típico daquele que apoia o MST ouvir, mas e se invadissem sua fazenda, ou é típico do direitista ouvir, e se fosse com seus filhos. Quando a ação prática é colocada em questionamento, mentira, hipocrisia e irritação são os primeiros sinais. Isso porque é realmente muito difícil falar do mundo, do seu mundo em si. Mas como muitos gostam de ter seus discursos bem construídos, bem decorados, como num desfile de escola de samba, Judas são fundamentais.
É a rede globo de um lado, a justiça burguesa, o imperialismo, o Lula e suas cores de barba. Muitos são os infiéis, os corrompidos, muitos são os corrompedores, os cruéis vilões da bondade humana. Mas e quando é com nós mesmos? Quando é em nossa casa, com nosso salário, com a nossa poluição e com o nosso lixo. O que fazemos? O que cantamos? Quem xingamos no espelho? Ou não fazemos nada disso e passamos a nos preocupar com nosso subconsciente, com nossos medos e com nossas conquistas, planos e, afinal, nossa própria vida; por que ninguém é de ferro. Já fazemos a tão libertadora arte, já discutimos nossa tão libertadora política, o que nos resta senão tomar um bom copo de chope?

Nos resta saber onde e quando estamos tomando nosso copo. Se não estamos nos transformando nos vilões de nós mesmos. Dia 10 de dezembro de 2004, na festa de lançamento do jornal Arte e Política, promovido por engajados estudantes, num bar chamado Tá na Rua, onde também funciona um oficina de artistas de rua, na Lapa, um DJ de Funk viu-se censurado por um indivíduo chamado Cigano. Recapitulemos, o Cigano é aquele povo perseguido a séculos, que mantém suas tradições independete dos territórios, a Lapa é o reduto boêmio do Rio, a oficina de atores de rua mostra todo o lado progressista das novas formas de arte, e os estudantes, sim esses que exigem tudo do governo e do mundo, dão uma festa, convidam um DJ e NADA fazem diante da própria censura? Pedem desculpas e pedem para a festa continuar?

Acho mesmo que isso me lembra o Lula, no final, que a festa continue. Também me lembra a tal da história que no Brasil tudo acaba em Pizza. Pois se os estudantes, aqueles que organizam um jornal arte e política, nada podem fazer em sua própria festa, a não ser pedir desculpas, ou no bom e velho cristianismo, receber o perdão, o que podem cobrar do resto do mundo? Roberto Marinho, por exemplo, tem uma instituição muito maior, mais complexa, que uma mera festa da Lapa, e até hoje acusam-o de nunca ter parado a festa, de ter ido até os limites para continuar bailando nos mares dourados. Os políticos, pobres coitados, estão desculpados, pois quer mais transtorno do que querer pousar ou aviãozinhos de dólares que voam pelo palnalto? Ou mesmo os professores, já estudaram tanto, deixem-os sentar no trono da instiuição e guardar seus conhecimentos no cedro de diplomas.

Não, não é assim que o Jornal Arte e Política pensa. Não é assim que aquele público pensa. Eles cobram, cobram muito, falam muito. Falam alto. Enchem o peito, enchem os dedos, para acusar, para dismistificar, para desconstruir. E o que fazem com a própria festa? Pedem bis, chamam pizza. Afinal, qual é o momento de parar? De dizer basta, sim aquele mesmo basta dos burgueses "Como Visto Na Tv", de colocar o pé na porta e mandar o preconceito e o momento para as favas? De se preocupar mais com o que dizem, com o que será o futuro, do que com o momento? Basta um cigano vir, dizer que não toca " esse tipo de música porque atrai mal público" para que um ou dois silêncios depois tudo volte ao normal?

Se existe vergonha no mundo, é daqueles que não vêem o próprio dedo lhes apontando um espelho. Parabéns ao Funk, que continua desmascarando velhos e obsoletos discursos.

Antes de votar mate alguém.

Desarmamento? Sim ou não? Lembra dele?

"Era a primeira vez que andava armado depois de ter conseguido o porte de arma. Nem se lembrava direito se houve alguma ilegalidade na concessão. Achava-se honesto, e logo, seu porte também. Nunca havia pensado em votar armado. Assim, talvez até seja proibido. Mas derrepente, tanta gente falando em armas, no sim, no não, que aquele velho revólver, guardado no fundo do armário, começou a ter voz própria.

Por quê? Sem saber se era mesmo a violência que estava em discussão, sem nenhuma sobriedade sobre o tema, mal teve tempo de se informar o suficiente. E lá estava, armado, indo votar no clube velho e decadente onde cresceu vendo a amizade e a violência lado a lado no cotidiano humano. Se aquele objeto era tão inútil, se não pretendia usa-lo, qual o problema com ele? Sem seu dedo, ele nada seria. E não é que estava, lá, pensando, com o dedo no gatilho sentido a temperatura do metal e sua lisa superfície, por dentro do paletó? Cansado, certamente estava cansado da rotina massacrante, de alguns excessos, de algumas saudades, sozinho atravessava a mesma rua que já atravessara um milhão de vezes, com todas as possíveis misturas do tempo. O território de nômades de final de semana, em caixas de papelão, cheirando cola, conversando e sorrindo.

São o crime? Podem me atacar, me esfaquear, precisarei me defender, deles? De quem? Sim ou não porra. Num vulto de tempo, cheio de adrenalina, só deu tempo de ver um preto, ler em seu movimento a vontade da agressão, e, atirou. Viu o relógio do pai na mão do maltrapilho sangrando, caído no chão, gritando. Sempre achou que usaria a arma para se defender de um policial, inevitavelmente ele também era negro, ou parceiro de um. O racismo era foda, se sentia tão racista numa sociedade onde todos dizem não haver esse tipo de preconceito. Não sabe bem, mas achava que ainda ia ter que se confrontar com um policial para escapar vivo, ou porque o policial era um filho da puta, ou por algum motivo que não entendia muito bem. Tinha a sensação que seria um policial que entraria na sua casa fazendo dele alvo. Mesmo sabendo que irreal, era assim que os pensamentos vinham antes que lançasse neles aquela louca filosofia humanista que tanto preservava. Talvez por ser ele mesmo negro, acreditava que seria suspeito de alguma coisa em algum momento.

Esse cara vai morrer. E eu não sei em quem votar. Tenho munição para matar mais 2. Legítima defesa, o filha da puta também tava armado, somos só mais dois pretos se matando, a vida é uma guerra e somos guerreiros. Papelada toda certa, testemunhas, o policial olhando com aquela cara de quem olha preto, relógio caro e roupa fina quase como elementos inexplicáveis do vestuário. Liberado terá que depor futuramente. Melhor subornar agora? Logo no único dia de democracia direta da história? Que caô, porra nenhuma. É mesmo um saco esse negócio de dizer sim ou não, respostas típicas dos inquéritos, dos revoltados e dos maria-vai-com-as-outras."

Exibicionismo

Escrever assim na internet, é para se mostrar. Não por inteiro, nem pela metade; só se mostrando para saber. Estou 'sabendo'. Vou colocar alguns textos guardados nos Meus Arquivos. Exibicionista tímido, já mostrei eles para conhecidos, mas assim, na celulose. Visto isso, confira a desvirginação virtual do que segue. Ainda sangrando como vieram ao mundo.