segunda-feira, agosto 14, 2006

A Gatinha de Taubaté

Lembra da Velhinha de Taubaté, personagem de Veríssimo? Ela acreditou em todos os governos, desde a Ditadura mas não resistiu ao Governo Lula.

O que ninguém sabe sobre a história da Velhinha de Taubaté é a presença de uma ilustre personagem. Nossa querida velhinha tinha uma gatinha de nome suspeito, Conspiração. Na verdade, nem mesmo havia dado nome à felina, apenas alimentava o animal sem fazer perguntas, coisa de gente muito boa mesmo. Mas Conspiração sabia perfeitamente seu próprio nome.

Toda vez que uma notícia tinha o risco de colocar a fé da nobre senhora em risco, um vaso caía ou um rato corria pela casa. O grande coração da velhinha nunca se afetou com os prejuízos causados por Conspiração, que entre fotografias arranhadas e papéis escondidos embaixo da cama, sempre lhe foi carinhosa e nunca ameaçou com um dentinho sequer a feliz senhora.

De um momento para outro, não se sabe se antes ou depois do falecimento, a vizinhança começou a confabular se realmente existia uma gatinha, ou se tudo não passava de solidão. Mesmo que várias crianças jurassem tê-la visto e até mesmo um jovem veterinário da rua a tivesse examinado, quem eram essas pessoas perto dos bem informados cidadãos de Taubaté? O jornaleiro, centro de informações da cidade, nunca a tinha visto, na única vez que fez declaração pública estava completamente bêbado e com má companhia. Entre ele e outros a polêmica circulava.

Estava a gentil senhora louca? Imitava o ruído de gato apenas para não se sentir sozinha? Uma pena. Quando a famosa habitante da cidade partiu dessa para melhor, poucos solidários foram dar uma geral na casa. Estranharam que entre tanta arrumação, uma gaveta tinha fundo falso com papeis indecifráveis, símbolos estavam escritos embaixo da escrivaninha e de algumas fotografias de família. Mas nenhum sinal de Conspiração. Concluíram que a pobre senhora era realmente louca.

No dia da missa de sétimo dia, uma gatinha amanheceu morta no quintal e, arrependidos da falta de boa vontade, todos decidiram, num debate público dentro da igreja, que Conspiração deveria ser enterrada com sua mais fiel amiga, a Velhinha de Taubaté.

As crianças, que sabiam de longe identificar a gatinha, continuaram a vê-la, e, por isso mesmo, ver, falar, ouvir ou lembrar de Conspiração virou coisa infantil. Pois era sabido em toda a cidade, e em toda a nação, já que houve grande repercussão do acontecido, que a Conspiração estava morta e enterrada, se é que existiu. Na razão histórica dos fatos, a gatinha de lenda virou mito e seu nome só é aceito em rodas de bar, desenhos infantis e todo tipo de conversa feita para não levar a lugar nenhum.

Nenhum comentário: