terça-feira, setembro 19, 2006

Está difícil ler jornal

Está cada vez mais difícil ler jornal. Há dois domingos do pleito, nenhuma matéria de avaliação de nenhum governo, de nenhum mandato. A política desapareceu completamente de todo o noticiário. Os candidatos viraram comentaristas dos escândalos. Está impossível usar os jornais para qualquer esforço de racionalização do voto. A corrupção impera como se uma caixa-preta de fedores estivesse aberta há dois anos.

Além disso, um esforço para destruir o PT é cada vez mais evidente. Visto que já está 'dado' que um assessor direto do Lula comprou o dossie Vendoin, falta falar dos documentos. Não se fala dos documentos, mas do PT os ter comprado. No caso são duas investigações, uma de quem armou o dossie e a outra, o que dizem os documentos. Quando a segunda parte é esquecida, não há como duvidar de que uma campanha esteja em jogo: a social democracia está polarizada entre PSDB e PT. Este é expurgado pelo noticiário, mas o primeiro não.

O pior de todos é O Globo. O jornal esqueceu que política existe e estranhamente só se vê notícia sobre esse assunto nos cadernos de economia e internacional. Neste, os escândalos da Bolívia e qualquer coisa sobre radicalismos no Islã. A Folha ainda se esforça, denunciou Aécio há algumas semanas, fala sobre isso ou aquilo das alianças, sua cobertura vai além da corrupção pura. O Estado não esqueceu que política existe, porque quem tem propriedade, já ensinam os liberais, preocupa-se com o processo democrático: o mundo não parou porque Lula deve ganhar e a grana tá girando. De todos os jornais impresos que li, apenas O DIA, citou o fato de Serra ser investigado em manchete de topo de página, se me recordo, teve chamada de capa.

É triste, tanto se cobra do leitor, do eleitor, e tão pouco se dá.

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