
Jantar em família. Padrinho, lagosta com tapioca.
Toca o celular.
Um primo diz ao aparelho, A Polícia Militar teme novos ataques na Barra, O quê, como assim?, isso mesmo, avisa para o pessoal evitar sair de casa.
E os telefonemas começam, mensagens no msn, lembraram de ligar para este?, ele sempre vai a Barra, E o outro, onde será que está?, ligo para todos, melhor não, puro pânico. Oi filha, não sai daí da barra não, vai para casa dela e dorme lá, cuidado, toma cuidado, não, vai dar tudo certo, sem pânico, é só um aviso. Então, vcs não vão voltar para Barra hoje, né? Dorme no quarto do afilhado.
E é assim... começa a nova rotina do medo. Antes: pô mas o cara deu mole, né? Sair com aquele carro, aquele celular, naquele lugar, deu mole, a cidade é assim... Agora: ué, ele pediu né? Todo mundo sabia que ia ter ataques e mesmo assim resolveu sair.
Um comentário:
quando eu morava na barra, entrava no globo online antes de ir p zona sul. sabe cumé, né?
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