segunda-feira, junho 11, 2007

Pacto




O pontencial brasileiro de ser um celeiro de produtos orgânicos no mundo se reduz a cada vez que os investidores internacionais escutam a palavra 'Ethanol'. Com a implementação dessa commodities, todas as terras agricultáveis se transformam em potenciais campos pretrolíficos. A preservação da amazônia não é diretamente ameaçada por isso, pois o novo mercado que se coloca cria mecanismos para que o capital internacional lucre com a floresta. Seja mantendo sua preservação, ou extraindo sua biodiversidade. Se na luta contra os combustíveis o prefixo bio parece ser a salvação, na luta contra a pirataria, o bio é coisa de teoria da conspiração.



Mas enquanto os países mais ricos investem pesadamente em novas técnicas ou de mitigar os efeitos poluidores do carvão e do petróleo (existem muitas maneiras) ou de energias não poluidoras, o presidente Lula insiste que o agrocombustível deve ser adotado porque incorpora países pobres nessa nova ordem energética. O líquido ainda é o principal estado da energia que move carros, aviões, e outros tipos de transporte. Pode ser que cole. Mas não deixa de ser uma repetição do mesmo, como diria Úrsula Iguarán, a diferença entre o refino do açúcar e do agrocombustível não existe se descontados os séculos em "desenvolvimento".



Caso a proposta 30 anos atrasada do Brasil entre mesmo no Menu da energia mundial, corremos o risco de um especulação da terra. Todos os latinfundiários grileiros, que por décadas ou séculos mantiveram suas propriedades com a mesma tinta suja do Império Português, verão que roubar galinhas é mais barato que comprá-las.



Já de pernas abertas para a especulação internacional, nossa pátria mãe - que financia aos yankees R$ 600 bi para venham fazer uma visita à carente senhora - poderia limpar o tabuleiro para este novo jogo que começa. Definir quais são as propriedades agricultáveis para o agrocombustível em larga escala. E quais serão destinadas a agricultura familiar. Aí sim, teríamos o verdadeiro pacto social que Lula, por dificuldade de o estabelecer na Nação que o elegeu, profere para o mundo pedindo a conta ao G8.



Isso, acreditem, é melhor para o capital internacional. Gente que gosta de dinheiro, mas também prefere negócios menos arriscados, trabalhadores da especulação, que gostam de saber das regras do jogo, e nelas reinventam a roda. Quem não sabe brincar é a elite brasileira, que pensa 'campo meu, bola minha, vizinhos ricos primeiro'. E depois, lamenta: 'roubaram minha bola nova'.



O que a imprensa, os governos e, principalmente, o eleitor devem saber, na minha não-humilde opinião, é que um nova ordem econômica verde está surgindo. Os ricos preparam-se para o consumo do ecologicamente correto, enquanto os ricos-solidários preparam-se para mitigar a pobre dor dos afetados pelas mudanças climáticas. Nesse meio termo o Brasil deve se posicionar, criando tecnologias e produtos para os ricos-verdes e planejando seu berço esplêndido para todos.



Aí sim, temos um pacto. Atendendo os interesses do MST e do Ethanol Summit. Eles são conciliáveis e necessários.










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